CRÔNICA
NÃO EXISTEM CULPADOS!
NÃO EXISTEM CULPADOS!

Foto do dia: http://giselebarbosato.blogspot.com.br
As horas
que se seguiram foram de intensa carga emotiva e desilusão. Depois começa a
caça aos culpados, passando por todos os especialistas envolvidos (obstetra,
especialista em imagem, laboratórios, etc) e inclusive nós mesmos. Realmente,
nossos pensamentos se tornam extremamente conflituosos, chegando até mesmo
esquecer do ato mais importante da peça, Pietro! Mas, por ser um bebê com
síndrome de Down, tiveram que ter uma atenção maior em se tratando de sua
alimentação (ver artigos abaixo sobre ALEITAMENTO
MATERNO NA SD), devido a hipotonia que pode dificultar sua sucção e
prejudicando sua amamentação. De hora em hora levavam nosso pequeno para o
aleitamento na enfermaria, com certeza por receio da minha esposa não conseguir
amamentar devido ao choque emocional.
Quando
penso nesse momento, lembro-me da forte sensação de estar perdido em tudo que
imaginava, tudo não tinha nexo! Não queria saber se tinha culpados, se alguém
errou em algum momento... mas, fiquei extremamente preocupado com minha esposa
e meu Pietro. Como eu iria lidar com essa situação?... como seria o futuro de
minha família?... como seria o futuro de Pietro? Eram muitas
perguntas para nenhuma resposta! Mal sabia que o tempo que iria me dar resposta
e me confortar.
A síndrome de Down é um acidente genético, uma alteração cromossômica. (Ver o artigo abaixo: Síndrome de Down) Existem os riscos em relação a idade materna e paterna, não querendo dizer que você acima dos 40 anos terá uma criança SD (apesar da porcentagem ser maior) e também você que tem 25 não terá risco nenhum de ter uma criança SD. Tem várias formas de poder evitar, mas nenhuma lhe assegura que não terá uma criança SD. Quando se trata de uma gestação, ainda mais no início, nos ficamos preocupados, principalmente em perder a gestação. Todos os profissionais envolvidos sabem muito bem dessa situação e procuram sempre ter a maior das atenções a qualquer alteração presentes nos exames quanto na leitura dos mesmos. É avaliado desde a consanguinidade até os últimos exames de ultra-som. Portanto, não vejo e nunca verei um CULPADO no nascimento do meu filho portador de síndrome de Down. Só tenho a agradecer pelo carinho e cuidado que tivemos até onde foi o profissionalismo de cada um!
A síndrome de Down é um acidente genético, uma alteração cromossômica. (Ver o artigo abaixo: Síndrome de Down) Existem os riscos em relação a idade materna e paterna, não querendo dizer que você acima dos 40 anos terá uma criança SD (apesar da porcentagem ser maior) e também você que tem 25 não terá risco nenhum de ter uma criança SD. Tem várias formas de poder evitar, mas nenhuma lhe assegura que não terá uma criança SD. Quando se trata de uma gestação, ainda mais no início, nos ficamos preocupados, principalmente em perder a gestação. Todos os profissionais envolvidos sabem muito bem dessa situação e procuram sempre ter a maior das atenções a qualquer alteração presentes nos exames quanto na leitura dos mesmos. É avaliado desde a consanguinidade até os últimos exames de ultra-som. Portanto, não vejo e nunca verei um CULPADO no nascimento do meu filho portador de síndrome de Down. Só tenho a agradecer pelo carinho e cuidado que tivemos até onde foi o profissionalismo de cada um!
Texto: Alessandro Carvalho
ARTIGOS E VÍDEOS
Artigo Via Internet:
Síndrome de Down
Histórico
Em 1866, John Langdon Down
notou que havia nítidas semelhanças fisionômicas entre certas crianças
com atraso mental. Utilizou-se o termo “mongolismo” para descrever a sua
aparência. Segundo o Dr. John, os mongois eram considerados seres
inferiores.
O número de cromossomos
presente nas células de uma pessoa é 46 (23 do pai e 23 da mãe),
dispondo em pares, somando 23 pares. Em 1958, o geneticista Jérôme
Lejeune verificou que no caso da Síndrome de Down há um erro na
distribuição e, ao invés de 46, as células recebem 47 cromossomos e este
cromossomo a mais se ligava ao par 21. Então surgiu o termo Trissomia
do 21 que é o resultado da não disjunção primária, que pode ocorrer em
ambas as divisões meióticas e em ambos os pais. O processo que ocorre na
célula é identificado por um não pareamento dos cromossomos de forma
apropriadas para os pólos na fase denominada anáfase, por isso um dos
gametas receberá dois cromossomos 21 e o outro nenhum.
Como forma de homenagear o Dr. John, o Dr. Jérôme batizou a anomalia com o nome de Síndrome de Down.
Registros Antropológicos
mostram que o caso mais antigo da Síndrome de Down data do século VII,
um crânio saxônico apresentando modificações estruturais vistas com
freqüência em crianças com Síndrome de Down. Algumas pessoas acreditam
que a Síndrome de Down tenha sido representada no passado em esculturas e
pictografias. Os traços faciais de estatuetas esculpidas pela cultura
Olmec há quase 3.000 anos foram considerados semelhantes aos de pessoas
com Síndrome de Down. Nenhum relatório bem documentado sobre pessoas com
Síndrome de Down foi publicado antes do século XIX.
Tipos de Trissomia do 21 ou Síndrome de Down
Há 3 tipos principais de anomalias cromossômicas ou variantes, na sindroma de Down.
• trissomia simples (padrão):
a pessoa possui 47 cromossomos em todas as células (ocorre em cerca de
95% dos casos de Síndrome de Down). A causa da trissomia simples do
cromossomo 21 é a não disjunção cromossômica.
• translocação:
o cromossomo extra do par 21 fica "grudado" em outro cromossomo. Nese
caso embora indivíduo tenha 46 cromossomos, ele é portador da Síndrome
de Down (cerca de 3% dos casos de Síndrome de Down). Os casos de
mosaicismo podem originar-se da não disjunção mitótica nas primeiras
divisões de um zigoto normal.
• mosáico:
a alteração genética compromete apenas parte das células, ou seja,
algumas células têm 47 e outras 46 cromossomos (ocorre em cerca de 2%
dos casos de Síndrome de Down). Os casos de mosaicismo podem originar-se
da não disjunção mitótica nas primeiras divisões de um zigoto normal.
É importante saber, que no
caso da Síndrome de Down por translocação, os pais devem submeter-se a
um exame genético, pois eles podem ser portadores da translocação e têm
grandes chances de ter outro filho com Síndrome de Down.
Cariótipo
Características dos Portadores
O portador da Síndrome pode apresentar várias:
• A cabeça é um pouco que
o normal. A parte posterior da cabeça é levemente achatada
(braquicefalia) na maioria das crianças, o que dá uma aparência
arredondada à cabeça. As moleiras (fontanela) são, muitas vezes, maiores
e demoram mais para se fechar. Na linha média onde os ossos do crânio
se encontram (linha de sutura), há muitas vezes, uma moleira adicional
(fontanela falsa). Cabelo liso e fino, em algumas crianças, pode haver
áreas com falhas de cabelo (alopecia parcial), ou, em casos raros, todo o
cabelo pode ter caído (alopecia total).
• Rosto tem um contorno
achatado, devido, principalmente, aos ossos faciais pouco desenvolvidos e
nariz pequeno. Osso nasal geralmente afundado. Em muitas crianças,
passagens nasais estreitadas.
•
Olhos tem uma inclinação lateral para cima e a prega epicântica (uma
prega na qual a pálpebra superior é deslocada para o canto interno),
semelhante aos orientais. Pálpebras estreitas e levemente oblíquas.
• Orelhas pequenas e de implantação baixa, a borda superior da orelha ( hélix ) é muitas vezes dobrada. A estrutura da orelha é ocasionalmente, alterada. Os canais do ouvido são estreitos.
• A boca é pequena.
Algumas crianças mantêm a boca aberta e a língua pode projetar-se um
pouco. À medida que a criança com síndrome de Down fica mais velha, a
língua pode ficar com estrias. No inverno, os lábios tornam-se rachados.
O céu da boca (palato) é mais estreito do que na criança "normal". A
erupção dos dentes de leite é geralmente atrasada. Às vezes um ou mais
dentes estão ausentes e alguns dentes podem ter um formato um pouco
diferente. Mandíbulas pequenas, o que leva, muitas vezes, a sobreposição
dos dentes. A cárie dentária é observada com menor comparada com
crianças “normais”.
• Pescoço de aparência
larga e grossa com pele redundante na nuca No bebê, dobras soltas de
pele são observadas, muitas vezes, em ambos os lados da parte posterior
do pescoço, os quais se tornam menos evidentes, podendo desaparecer, à
medida que a criança cresce.
• O abdômen costuma ser
saliente e o tecido adiposo é abundante. Tórax com formato estranho,
sendo que a criança pode apresentar um osso peitoral afundado (tórax
afunilado) ou o osso peitoral pode estar projetado (peito de pomba). Na
criança cujo coração é aumentado devido à doença cardíaca congênita, o
peito pode parecer mais globoso do lado do coração. Em conseqüência das
anomalias cardíacas e de uma baixa resistência às infecções, a
longevidade dos mongolóides costuma ser reduzida.
• As mãos e os pés tendem
a ser pequenos e grossos, dedos dos pés geralmente curtos e o quinto
dedo muitas vezes levemente curvado para dentro, falta de uma falange no
dedo mínimo. Prega única nas palmas (prega simiesca). Na maioria das
crianças, há um espaço grande entre o dedão e o segundo dedo, com uma
dobra entre eles na sola do pé, enfraquecimento geral dos ligamentos
articulares.
• Genitália desenvolvida;
nos homens o pênis é pequeno e há criptorquidismo, nas mulheres os
lábios e o clitóris são pouco desenvolvidos. Os meninos são estéreis, e
as meninas ovulam, embora os períodos não sejam regulares.
É preciso enfatizar que
nem toda criança com síndrome de Down exibe todas as características
anteriormente citadas. Além disso, algumas características são mais
acentuadas em algumas crianças do que em outras.
Causas
Um dado que levanta a
suspeita é a idade materna, 60% dos casos são originados de mulheres com
mais de 30 anos. Casos com mulheres de menos de 30 anos é de
aproximadamente 1:3000; em mulheres entre 30 e 35 anos o risco aumenta
para 1:600, em mulheres com mais de 45 anos, até 1:50.
Uma explicação do efeito
da idade ocorre na ovogênese: na época do nascimento de uma criança, os
ovócitos encontram-se na prófase I e, logo após o nascimento,
interrompem a meiose por um período que dura de 12 a 50 anos (da menarca
à menopausa). Quanto mais longo for esse período, por mais tempo
permanecem interrompidas as meioses dos ovócitos e mais influências
ambientais (radiações, medicamentos, infecções) podem alterar a
segregação dos cromossomos originando, em conseqüência, maior número de
óvulos aneuplóides
Um fator independente da
idade e que possivelmente aumenta a ocorrência de zigotos aneuplóides é
que, ao ser lançado na tuba, o ovócito encontra um meio diferente
daquele em que permaneceu vários anos; desse modo, ele fica exposto à
ação de fatores ambientais, tornando-se mais vulnerável à ocorrência de
não-segregações.
Dados revelam que 20% dos
casos de trissomia do 21 derivada falta de segregação ocorrida na
gametogênese paterna. Nesse casos, o aumento da idade paterna também
acarreta aumento na ocorrência das aneuploidias, porém esse efeito só é
constatado claramente em pais com idade superior a 55 anos; como a
paternidade nessa idade é relativamente rara, esse fato não foi
percebido com a mesma facilidade como nas mulheres com mais de 35 anos.
Métodos de Diagnose
O diagnóstico é feito
através do cariótopo, que é a representação do conjunto de cromossomos
de uma célula. O cariótipo é, geralmente, realizado a partir do exame
dos leucócitos obtidos de uma pequena amostra de sangue periférico.
Somente este exame é que realmente comprova o cromossoma extra com um
número total de 47, como resultante de uma trissomia do cromossomo 21.
Também é possível
realizá-lo, antes do nascimento, depois da décima primeira semana de
vida intra-uterina, utilizando-se tecido fetal.
No entanto as
características fenotípicas, citadas anteriormente podem apresentar um
forte indicio da doença ,sem o uso do teste.
Rastreio pré-natal
• Amniocentese
É o método mais usado na detecção de trissomia 21 nas gravidezes de
“alto risco”. É feito retirando-se uma pequena quantidade de líquido que
envolve o bebê no útero, durante a gravidez.
• Amostra de vilosidades
coriônicas. Trata-se duma biópsia transvaginal às 10-12 semanas de
gestação. Relativamente à amniocentese, tem como vantagem a detecção
mais precoce das anomalias cromossómicas , mas está associada a uma taxa
maior de abortos (2-5%). Pensa-se que esteja associada a defeitos nos
membros e das mandíbulas do feto, embora os estudos não sejam muito
conclusivos.
• Ecografia Algumas
características fetais podem ser indicadores de T21, como, por exemplo, o
tamanho da fossa posterior, a espessura das pregas cutâneas da nuca, as
posturas da mão e o comprimento dos ossos. Embora esta técnica seja
promissora, ainda não oferece garantias.
• Cariótipo das células fetais na circulação materna. Outra técnica que promete ter futuro.
Leonardo Leite
Fonte: http://www.ghente.org/ciencia/genetica/down.htm
Aleitamento materno em crianças com Síndrome de Down: um desafio multidisciplinar
A Síndrome de Down (SD) é uma condição genética, primeiramente descrita por John Langdon Down, em 1866.
Afeta 1 a cada 800 recém-nascidos (RN’s) em todo o mundo, e é
considerada uma das mais freqüentes anomalias numéricas dos cromossomos
autossômicos, representando a mais antiga causa genética de retardo
mental.
Em relação ao desenvolvimento das habilidades motoras, as pesquisas
evidenciam que as crianças portadoras da SD apresentam atraso nas
aquisições dos marcos motores básicos e no desempenho cognitivo. Além do
atraso no desenvolvimento motor e cognitivo, outros problemas de saúde
podem estar associados aos portadores da SD, como: cardiopatias
congênitas; hipotonia generalizada; déficit de audição e de visão;
alterações na coluna cervical; distúrbios tireoideanos; problemas
neurológicos; obesidade e envelhecimento precoce.
A assistência à criança, em sua fase de desenvolvimento e
crescimento, necessita de constante suporte nutritivo, emocional e
intelectual. A criança que nasce com a SD sofre interferência em sua
capacidade natural de ser adequadamente alimentada e apresenta aspectos
negativos em sua evolução normal, devido a todas as alterações citadas.
A lactação é indiscutivelmente a prática mais eficiente de atender os
aspectos nutricionais, imunológicos e psicológicos, importantes na
diminuição da morbi-mortalidade infantil, logo, é indispensável para a
criança, para a mãe, para a família e para a sociedade em geral. Outros
autores acrescentam que a amamentação é primordial para todos os bebês,
inclusive para aqueles com SD.
Amamentar o bebê com SD é extremamente importante, funcionando como uma verdadeira terapia. O esforço para
sugar o seio materno, a posição da língua do bebê durante a sucção, o
toque do rosto no seio da mãe, a coordenação entre o respirar e deglutir
o leite, auxiliarão certamente para que o bebê cresça com menos
tendência a permanecer com a língua protrusa e tenha mais facilidade
para regularização da fala e respiração. Portanto, o tratamento visando
os aspectos evolutivos destas crianças tem como princípio garantir
estimulação neurossensorial, nutrição e harmonia no meio familiar,
através de apoio e orientação aos pais com relação à particularidade de
seus filhos, para que, com o devido conhecimento, possam efetivar as
medidas indicadas pela equipe multidisciplinar, necessárias ao
tratamento, principalmente nos primeiros anos de vida.
O objetivo deste trabalho é descrever e enfatizar a importância da
amamentação para as crianças com SD, através de dados colhidos na
literatura, bem como, alertar a equipe multidisciplinar para avaliar
detalhadamente o momento da mamada e orientar as mães quanto aos
benefícios do aleitamento materno para a redução da morbi-mortalidade
infantil, aumento da imunidade, afetividade e melhora da tonicidade
muscular orofacial, importantes para o desenvolvimento neuropsicomotor.
Material e métodos
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica que é construída partindo-se
de materiais já escritos anteriormente, como livros e artigos
científicos. A presente pesquisa é do tipo exploratória, que tem como
proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo
mais explícito ou a construir hipóteses. Tem ainda como método de
abordagem o dedutivo, que a partir de uma visão geral chega-se a um caso
específico. A técnica de pesquisa utilizada foi a documentação
indireta, que se baseia em dados obtidos por outras pessoas, através da
pesquisa bibliográfica de livros, revistas e outras publicações.
Amamentação
A amamentação deve ser iniciada imediatamente após o parto, desde que
a mãe e o recém-nascido estejam em boas condições clínicas. Deve ser
oferecida de acordo com a demanda do bebê, livre de horários
pré-determinados, e pelo tempo que a criança desejar.
O aleitamento materno é o modo mais natural e seguro de alimentação
para o RN, devendo ser exclusivo até os seis meses, por suprir todas as
necessidades nutritivas da criança, apresentando um efeito protetor
contra problemas de saúde como hipertensão, linfomas, alergias e
obesidade. A partir desse período, deve haver complementação com outros
alimentos, porém o aleitamento pode ser mantido beneficamente até os
dois anos ou mais. O primeiro ano de vida é o período em que o ser
humano apresenta a maior velocidade de crescimento. Por isso, as
necessidades nutricionais são mais elevadas tornando esse grupo etário
bastante vulnerável aos agravos nutricionais. Essas necessidades sofrem
flutuações individuais e aumentam quando as crianças adoecem. Sendo
assim, especial atenção deve ser dada à alimentação das crianças
enfermas, principalmente quando se reconhece a diminuição do apetite que
geralmente acompanha os processos mórbidos.
O leite materno proporciona uma combinação única de proteínas,
carboidratos, lipídios, minerais, vitaminas, enzimas e células vivas,
como também é fundamental como fator nutritivo, imunológico, psicológico
e econômico. A composição do leite varia nas distintas etapas da
amamentação, em diferentes horas do dia e durante uma mesma mamada.
No início da produção láctea gera-se o colostro, que pode ter início
na trigésima sexta semana de gestação, apresentando geralmente coloração
amarelada e aspecto mais denso que o leite materno. Além disso, possui
alta concentração de fatores de defesa, especialmente IgA
(imunoglobulina A) possuindo grande importância na proteção contra
infecções.
Após uma semana, a concentração do colostro modifica-se
progressivamente, recebendo o conceito de leite de transição, onde
aproximadamente duas semanas após o parto já recebe a denominação de
leite maduro, possuindo os elementos nutritivos já citados.
Manejo da lactação
No período neonatal os reflexos primitivos de alimentação desempenham
papel primordial na amamentação, sendo esses denominados reflexos de
busca ou procura, sucção edeglutição. Há, ainda, os seguintes reflexos
de proteção da deglutição: mordida (obtido através do toque na região
interna das gengivas); vômito (desencadeado pelo estímulo na ponta da
língua quando há negação total da deglutição) e tosse.
O reflexo de busca ou procura é ativado mediante toque na bochecha e,
principalmente, nos quatro pontos cardeais dos lábios, cuja função
consiste em localizar o peito.
Quanto ao reflexo de sucção, ocorre quando o movimento peristáltico
da língua comprime o tecido mamário contra o palato duro em combinação
com o fechamento dos lábios e gengivas, e o leite é ordenhado dos seios
lactíferos. Já o reflexo de deglutição é desencadeado mediante estímulo
do leite na região posterior da língua, palato mole, faringe e epiglote.
A função da mandíbula é importante na sucção. No RN ela se apresenta
levemente retraída em relação à maxila. Os movimentos de abaixamento,
protrusão, retração e fechamento são fundamentais para uma boa pressão
intra-oral. Quando o bebê suga no peito da mãe, realiza um movimento
perfeito utilizando toda a musculatura facial respirando pelo nariz. A
força de sucção do lactente se relaciona com a produção de leite. Esse
fato é bem notado quando um bebê com força de sucção débil é colocado ao
seio. Caso essa mama não for esvaziada manual ou mecanicamente, teremos
uma redução na capacidade de secreção láctea.
Para que os reflexos primitivos da alimentação sejam desempenhados de
forma satisfatória, vários fatores são levados em consideração, entre
eles a adequada postura tanto da mãe quanto da criança. A postura da mãe
é mais do que um simples controle funcional do corpo durante a
amamentação. Essa postura vai proporcionar ou não conforto ao bebê,
durante as mamadas. O desempenho da função oral depende não só dos
atributos do bebê, mas também dos processos interativos deste com sua
mãe.
A mãe deve estar relaxada e confortável e o bebê calmo e sem chorar. O
corpo do bebê deve ficar de frente para a mãe e próximo dela
favorecendo sua atividade oral, caso contrário, dificilmente haverá uma
boa pega da aréola e uma sucção eficiente, alterando o processo de
amamentação. O rosto do bebê deve estar de frente para o peito da mãe e o
corpo dele vai até o peito e não o oposto. A barriga da criança deve
ficar encostada na parte superior do abdome da mãe e a cabeça, cintura
escapular e quadril devem estar alinhados.
Em casos especiais, como bebês com SD, fendas lábiopalatinas,
laringotraqueomalácia e mães que possuem a mama volumosa ou muito
flácida, pode haver necessidade do uso das mãos como apoio para manter a
pega adequada.
O apoio em “C” ocorre quando os dedos são colocados na parede do
tórax, em baixo da mama. O dedo indicador formará um suporte na base do
peito e o polegar poderá ser usado como suave suporte acima, sem
pressionar.
Uma outra posição que ajuda a manter a pega é a posição de bailarina que
consiste em apoiar o maxilar do bebê com os dedos indicador e polegar
da mãe, enquanto os outros três apóiam a mama. O aleitamento materno é
de grande importância para os bebês prematuros e enfermos. No entanto,
essas crianças permanecem muitos dias nas unidades de terapia intensivas
neonatais ou nas unidades intermediárias, sendo privado, na maioria das
vezes, tanto do aleitamento materno quanto do contato íntimo com suas
mães. Esses bebês, muitas vezes, não estão aptos a sugar e
ordenhar o leite diretamente no peito, pela imaturidade dos reflexos
ou pela enfermidade que torna seus reflexos débeis.
Pega adequada
O modo de sucção ao peito é completamente diferente daquele realizado
para retirar o leite da mamadeira. A atividade de sucção ao peito é
primordial para o desenvolvimento do psiquismo, sendo muito mais íntima e
afetuosa. As sensações táteis, olfatórias, térmicas e auditivas fazem
parte da experiência. Acredita-se que as crianças que se beneficiam com o
aleitamento ao peito são mais ativas desde o período neonatal,
freqüentemente aprendem a andar mais precocemente e apresentam
personalidade mais estável e melhor adaptação social 6.
Estudos concluem que as disfunções orais do bebê podem ser corrigidas na
amamentação desde que identificadas precocemente. Os profissionais de
saúde podem auxiliar mães e bebês a superar essa dificuldade,
capacitando-se para realizar uma prática clínica adequada na
amamentação.
A sucção é o exercício mais eficaz e natural para que a criança possa
desenvolver sua linguagem oral. Portanto, a estimulação
sensório-motora oral realizada precocemente dará a criança
subsídios de melhor adequação dos órgãos fonoarticulatórios.
Acrescentando a este fato, reconhece-se que o esforço realizado pela
musculatura perioral do RN é bem maior quando suga o seio materno do que
a força para sugar o bico de uma mamadeira.
A criança portadora de síndrome de down
Autores relatam que há uma grande dúvida acerca do surgimento
da SD, onde pesquisas procuram esclarecer através de estudos históricos
se essa trissomia surgiu desde o início da civilização ou em épocas
mais recentes.
Entretanto, coube ao médico inglês John Langdon Down em 1866 a
primeira descrição da síndrome, embora, apenas em 1959 foi identificada a
trissomia do 21 nesses indivíduos. Ocorre como trissomia simples
ou padrão do cromossomo 21 em cerca de 95% dos casos;
mosaicismo em 2% dos casos, caracterizada no mínimo por duas populações
celulares diferentes, isto é, o indivíduo apresenta um percentual de
suas células normais, com 46 cromossomos, e outro percentual com 47
cromossomos aparentando uma forma parcial de trissomia; e por
translocações em 3% dos casos, que ocorre em indivíduos com SD que
apresentam 46 cromossomos, com um seguimento do cromossomo 21 sobreposto
ao cromossomo de número 14 ou 15.
A etiologia da SD ainda é questionável, contudo, alguns fatores como a
idade materna avançada, a tendência familiar a não disjunção
cromossômica e a exposição repetida ao mesmo agente ambiental têm
sido especulados como eventuais fatores causais.
São diversas as manifestações clínicas que caracterizam o portador da SD, dentre as quais cita-se: retardo mental,
perfil facial achatado, fissuras palpebrais oblíquas e pregas epicânticas, braquicefalia, pescoço curto com pele frouxa
excessiva, ponte nasal plana, orelhas de implantação baixa, mãos curtas e largas com prega simiesca, clinodactilia, pés
com amplo espaço entre o primeiro e o segundo pododáctilos, olhos com manchas de Brushfield ao redor da margem da
íris, boca aberta mostrando língua sulcada e saliente, dermatóglifos altamente típicos e displasia da pelve.
O portador de SD tem uma baixa taxa de imunidade, relatando
que as infecções são manifestações clínicas freqüentes, sendo
decorrentes de vários fatores associados. Nesta casuística de alta
morbidade, as cardiopatias apresentaram estreita relação com a presença
de infecções de repetição, e provavelmente as orientações gerais
de higiene ambiental, antiinfecciosa e de nutrição fornecidas aos pais
foram fatores fundamentais no controle da recorrência dos processos
infecciosos. Uma criança afetada por essa trissomia não
apresenta, necessariamente, todas essas características, e alguns desses
fenótipos podem ser encontrados em indivíduos não afetados.
Além das anormalidades fenotípicas e do retardo mental já mencionado,
esses pacientes podem apresentar características que certamente
dificultarão o processo de amamentação, tais como: hipotonia
generalizada, gerando uma dificuldade de movimentação dos órgãos
fono-articulatórios, podendo ter como conseqüência alteração das
funções de sucção, deglutição, respiração, mastigação e fala.
Como também, alterações craniofaciais, onde geralmente a maxila é menor
em relação ao de uma criança normal, há predominância de macroglossia,
má oclusão dentária, erupção atrasada, queda precoce e implantação
irregular dos dentes, oligodontia ou hipodontia, fissura na língua e
instabilidade na articulação têmporo-mandibular (ATM).
A sucção geralmente está comprometida nos RN’s acometidos de SD, que
possuem como característica uma alteração do sistema sensório-motor
oral. O padrão de sucção é marcado pela presença de diferenciações que
podem estar relacionadas ao movimento da língua, dos lábios, da
mandíbula, da musculatura oral e ao ritmo durante a sucção.
Processo de amamentação no bebê com Síndrome de Down
Embora o aleitamento materno seja considerado um processo biológico,
seus modelos de aprendizagem e manifestações são de origem social e
psicológica, onde a cultura, a crença e os tabus têm influenciado
diretamente em sua prática. Logo, para ser bem sucedida em todos esses
aspectos, a mulher necessita de apoio da sociedade.
Portanto, para que ocorra a amamentação, não basta o funcionamento ideal
das glândulas mamárias, e sim, um conjunto de fatores que vão
desde o desejo de amamentar, o preparo para a amamentação, o bom
estado emocional e psicológico, a correta sucção do bebê para que haja
estimulação da produção e ejeção do leite, até o apoio e a orientação
segura de um profissional competente.
Atualmente, há literatura vasta acerca dos aspectos gerais ligados ao aleitamento, entretanto, são bastante escassas
fontes que abordam a lactação em bebês portadores da SD.
A justificativa para tal fato é baseada na crença de que o aleitamento dessas crianças é idêntico às demais. Todavia,
devido às características próprias da criança e em especial o estado emocional da mãe por ocasião do nascimento de um
filho deficiente, essa prática pode ser prejudicada.
Embora o bebê com SD deva receber aleitamento materno, sua sucção é
insuficiente devido à hipotonia muscular; alterações na mandíbula,
língua, lábios, bochechas ou palato, as quais podem contribuir para que
haja dificuldades na execução dos movimentos durante a alimentação.
Outro fator que pode obstar a amamentação é o equilíbrio emocional das mães que pode apresentar-se abalado
devido ao estresse emocional pelo impacto da notícia que seu bebê tem problemas.
Em estudo realizado com 560 crianças com SD atendidas em hospitais
universitários da Itália, mostraram que bebês com a síndrome, ora
estudada, são menos amamentados comparados com crianças saudáveis, pois a
maioria das mães admitiram não realizar tal prática devido a fatores
relacionados à frustração ou depressão, bem como a constatação de
leite insuficiente e da dificuldade de sugar apresentadas pelos bebês.
Entretanto, uma pesquisa realizada em maternidade pública aplicou um
formulário com 14 entrevistadas, com a finalidade de obter informações
acerca das dificuldades das genitoras para amamentar crianças portadoras
de SD. No que
diz respeito à amamentação, 85,7% das crianças foram amamentadas,
enquanto que 14,3% não realizaram a amamentação. Em relação às mães
que apresentaram dificuldades para amamentar, 57,1% obtiveram êxito,
enquanto
que 42,9% das mães apresentaram dificuldades.
A alimentação da criança com SD é muitas vezes difícil, sobretudo quando os pais ainda não foram orientados. O
aconselhamento precoce acerca das melhores formas de amamentar mostra
que os filhos de famílias bem orientadas crescem mais, alimentam-se mais
facilmente, e a ansiedade dos pais é menor.
As mães de bebês com a trissomia do 21 devem ser estimuladas a amamentar seus filhos, pois esses RN’s podem
apresentar-se sonolentos nos primeiros dias de vida, sendo difícil
despertá-los e amamentá-los neste período. Também podendo ter
dificuldades no reflexo de sucção e deglutição e essas funções podem
estar, inclusive, totalmente ausentes.
Após alguns dias, as dificuldades na sucção e deglutição tendem a diminuir.
O aleitamento materno é o que há de melhor em termos de nutrição como
também trabalho muscular, onde os movimentos de sucção durante as
mamadas irão estimular e melhorar o tônus muscular orofacial, pois, tais
movimentos precisam ser rítmicos, fortes, sustentados e eficientes.
Além disso, os componentes encontrados no colostro e no leite materno são extremamente importantes como fator
imunológico, pois pesquisas evidenciam que crianças com SD possuem maior
suscetibilidade a infecções, principalmente de ordem respiratória.
Portanto, devido aos fatores já mencionados, a amamentação nessas
crianças nem sempre ocorre naturalmente, e muitas vezes, ela não
acontece. O estímulo e a orientação de sua prática, quando realizados,
geralmente seguem políticas estabelecidas pelos órgãos oficiais
para o aleitamento materno da população em geral, sem o apoio,
dedicação e paciência que o caso requer.
O aleitamento de bebês com SD é primordial para que se estimule de
forma eficaz a musculatura orofacial, obtendo melhoras significativas no
vedamento labial, no crescimento e desenvolvimento das arcadas
dentárias, na postura
da língua, e consequentemente, potencializando os movimentos de sucção, deglutição, mastigação, respiração e fala.
O fisioterapeuta, como profissional integrante da equipe
multidisciplinar que atende a criança com SD, deve observar as fases do
desenvolvimento bio-psico-social e o contexto familiar no qual a
criança está inserida, objetivando uma assistência humana e
eficiente, esclarecendo as mães acerca da importância do leite
materno nos aspectos nutricionais, imunológicos, afetivos, e
principalmente, para a criança com SD uma forma de estímulo
neurossensorial. A revisão efetuada reforça a implementação do
aleitamento materno, não só para crianças saudáveis, mas também para
aquelas com SD, resguardando os limites físicos, psicológicos e sociais,
que envolvem a criança e sua família e a importância da alimentação
para seu desenvolvimento neuropsicomotor.
Autores: Alana Moura Di Pace, Fabíola Mariana Rolim de Lima, Valéria Matos Leitão de Medeiros, Rosângela Guimarães de Oliveira.
Fonte: http://www.hospitaldetrauma.pb.gov.br
AMAMENTAÇÃO TRAZ GRANDES BENEFÍCIOS PARA BEBÊS COM SÍNDROME DE DOWN
"É claro que existe a hipotonia (baixo
tônus muscular), mas é totalmente viável amamentar uma criança com
síndrome de Down. Além da nutrição, proteção imunológica e vínculo com a
mãe, o ato de mamar trabalha a força para sugar. O bebê faz um
movimento com a face que é bem diferente de mamar na mamadeira. É mais
uma forma de estimular o desenvolvimento dele", afirma a médica, mãe de
um adolescente com síndrome de Down.
Especialista no atendimento de crianças
com a síndrome, Ana Claudia Brandão conta que é comum receber em seu
consultório mulheres aflitas por conta da suposta impossibilidade do
aleitamento materno para seus bebês. A pediatra reforça que a
amamentação é possível e benéfica inclusive para as mães, principalmente
nos casos em que o diagnóstico da trissomia acontece após o parto. "É
um momento sagrado na conquista do vínculo com aquela criança, que de
repente não era exatamente o que a família planejava".
Mães criam truques para facilitar aleitamento
A advogada Ana Claudia Correa não sabia
que seu filho Pedro tinha síndrome de Down ao amamenta-lo pela primeira
vez. A hipotonia não intimidou a mãe de primeira viagem, que tratou de
segurar a cabeça do bebê para encaixá-lo no peito como tinha aprendido
com a enfermeira. “Ele pegou o peito já na maternidade e nunca tivemos
problema. Amamentei o Pedro até os nove meses, quando ele parou por
iniciativa própria”, conta.
Outro artifício utilizado por Patricia
Almeida era colocar a filha em uma posição vertical para mantê-la
acordada e evitar que o leite fosse para seus ouvidos. “Com o tempo ela
foi ficando mais desperta e mamando melhor. As primeiras semanas foram
bem difíceis, mas valeu a pena o sacrifício”, comemora.
Ana Claudia Brandão conta que Pedro,
hoje com 17 anos, nasceu com uma cardiopatia, condição que afeta cerca
de 50% das crianças com síndrome de Down. O problema foi diagnosticado
justamente pela percepção de que havia alguma coisa errada durante a
amamentação. "Notamos que ele estava cansando mais do que o normal para
mamar. Procuramos um novo cardiologista e constatamos a cardiopatia".
Depois de passar por uma operação para
corrigir o problema, Pedro acabou passando para a mamadeira. Mesmo
assim, a pediatra conta que os momentos vividos durante o aleitamento
materno foram fundamentais para a relação com seu filho. "Amamentar um
bebê com síndrome de Down não é fácil, requer muita paciência e
disponibilidade. É um ato de insistência, mas a importância para mãe e
bebê vale o esforço", ressalta.
Campanha Nacional de Amamentação
Em agosto, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançaram a Campanha Nacional de Amamentação 2012,
que tem como objetivo incentivar as mães brasileiras a amamentar seus
filhos de forma exclusiva até o sexto mês de vida e manter o aleitamento
em conjunto com outros alimentos até dois anos ou mais. O leite materno
é um dos maiores aliados no combate à mortalidade infantil e é
considerado o alimento ideal para os bebês.
Fonte: http://www.movimentodown.org.br
Aprendam com o vídeo: Síndrome de Down - by Priscila Landa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário